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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

TRIATHLON OLÍMPICO DE CAIOBÁ EDIÇÃO INVERNO - 03/08/2014

Já faz um tempo que eu tinha essa vontade de experimentar fazer um triátlon completo: Nadar, pedalar e correr. Então um amigo "virtual" me falou dessa competição em Caiobá e me atiçou bastante. Meu maior problema era a questão da bike. Não tenho nenhuma "mountain bike" e muito menos a tal da "speed". Mesmo assim a minha vontade de participar foi maior do que a minha vergonha. Mandei um e-mail pro organizador (Luiz Iran) do evento e perguntei se teria algum impedimento de participar da competição usando a minha bike "roots", até mandei foto pra garantir, ele falou que não tinha problema o que era proibido era fazer o tal do "vácuo" rsrs.

O Luiz Iran era o responsável pelo evento, quero deixar um agradecimento especial a ele, pois foi sempre muito gentil e compreensivo comigo sempre que eu o procurava para esclarecer minhas dúvidas. Ele é um baita incentivador do esporte e gostei muito de conhece-lo.

Então me inscrevi na categoria "sprint"  (750 m de natação, 20 km de bike e 5 km de corrida) que possuí as distâncias menores, diferente da categoria "olímpica" onde as distâncias são 1500 m de natação, 40 km de pedalada e 10 km de corrida. Meu principal objetivo nessa competição era conhecer a dinâmica e assim poder me preparar melhor para as próximas competições e aí sim, entrar mais competitiva.


Quando meu amigo Luiz Henrique (o mesmo que me fez o convite para participar do tri) viu essa foto, ficou bem preocupado com a minha performance e até tentou emprestar uma bike decente pra mim, mas não rolou. Na noite de sábado, durante a reunião técnica, comecei a me sentir bem mais intimidada diante do porte dos participantes, então o meu amigo Homer que acampou com a gente e nos acompanhou, teve a iniciativa de me ajudar tirando os para-lamas e o bagageiro. A cestinha também deveria sair, mas resolvi deixar já que mesmo com os ajustes finais nem de longe eu teria alguma chance com essa bike. E no final ela ficou assim: 
Roots
Eu estava uma pilha de nervos, acho que só quem está na pele e participa de competições pode entender o que eu sinto e como é difícil ter que lidar com gente que pra tudo  diz "relaxa" como se isso fosse realmente ajudar em alguma coisa. Depois da reunião técnica pegamos um "japonês" pra jantar e depois dormir na barraca.
Tentando relaxar com a galera que me acompanhou nessa viagem -
 Darian, Homer e Sabrina (minha equipe de "apoio" rs)

 Acordava de hora em hora, frio, chão duro, preocupada com o tempo e todos os detalhes. Levantei às 06h50m e comecei a me arrumar, às 07h25m o meu "apoio" começou a colocar a bike no carro, sendo que o limite pro check in da bike na área de transição era até as 07h45m. Então entrei no modo "desespero" e comecei a pirar. E o tal só no "relaxa"... afff

Em cinco minutos chegamos no lugar onde deveria deixar a bike, recebi a marcação e então já comecei a sentir a humilhação. Só tinha daquelas bikes FODA MESMO.  Eu me senti levemente intimidada, mas ainda tava segura de que conseguiria de qualquer jeito. E lá fui eu bem humilde fazer o meu trabalho.
Zona da humilhaçã... digo, transição. rs

Deixei a bike, meu tênis e meus apetrechos todos ajeitados (olhei como os outros atletas faziam pra ter uma noção melhor) e fui pra praia me aquecer. 

O dia estava LINDO, a água estava realmente bem fria mas bem gostosa, eu estimava terminar a natação em aproximadamente 20 minutos e foi isso mesmo que fiz. 

Cheguei na transição bem feliz e tranquila, pois em mente eu iria "descansar" na pedalada pra poder correr no final. Mas assim que comecei a pedalar e passei na primeira curva meu selim baixou total e ficou solto. Não sabia se chorava, se voltava pra pedir pra alguém apertar, se continuava daquele jeito... Lamuriei e resolvi continuar, afinal "o que é um peido pra quem tá cagado". Fui, pedalei 20 km xingando mentalmente cada pedalada, foi um sofrimento, um desconforto e uma vergonha ainda maior do que eu tinha imaginado. Foram os 20 km mais difíceis e chatos  que percorri na vida. Cada vez que uma bike me ultrapassava eu pensava: "Só pra minha cara mesmo..." A minha "sorte" é que não tinha nenhum morro assustador e o percurso foi todo em asfalto. Tenho certeza absoluta que se o selim da bike estive firme e ajustado corretamente eu teria feito esses 20 km em um tempo menor e não teria me desgastado tanto.

Essa é uma carinhosa lembrança  que a Triativa fez pra mim ♥




Forcei muito a parte posterior da coxa tendo que pedalar rápido naquela posição totalmente instável e desconfortável. Me senti torturada e quando finalmente cheguei na transição pra corrida me senti absurdamente aliviada e corri os 5 km tranquila pois já tinha certeza absoluta que estava em último lugar na minha categoria e qualquer esforço extra ali já não fazia o menor sentido. Só estabeleci uma meta pessoal de terminar em menos de 2 horas e consegui. 
Foi no "pau da goiaba" mas completei meu primeiro triathlon em 1h58m34s . Satisfeita apesar dos pesares. 
Chegada depois de correr 5 km  :D
Minhas parciais de tempo foram:

NATAÇÃO - 750 m - 24 minutos 53 segundos
BICICLETA - 20 km - 1 hora 06 minutos 35 segundos
CORRIDA - 5 Km - 27 minutos e 06 segundos

TOTAL : 1 hora 58 minutos e 34 segundos
Já participei de muitas provas principalmente corrida e até algumas travessias e nessas competições geralmente encontro pessoas "normais" que costumam ser amistosas e cordiais. Ao participar desse triathlon, notei que os atletas são muito mais "carrancudos" e  metidos. Pude notar que a maior parte deles são uns baitas "playboys" ultra-competitivos e não estão lá pra brincadeira. Admiro e acho muito legal quem leva o esporte com profissionalismo mas acho se a pessoa não for egocêntrica nada impediria de ser gentil e cordial com os "atletas amadores". Tipo era minha estréia e eu tinha infinitas dúvidas e não me acanhava em perguntar. Na prova era proibido o tal do "vácuo" (no ciclismo) mas muitos me deixaram no "vácuo" - literalmente quando eu me dirigia pra tirar as dúvidas. Era uma resposta seca e olhe lá, tipo:  "sim!", "não", "Por lá!"... não tinha nenhuma conversinha e nada de um bate-papo amistoso, como se eu fosse uma competidora muito perigosa mesmo hahaha. Mas nas chegadas eu sentia muita energia boa vindo dos expectadores e da torcida, com bastante palmas, gritos de incentivo, parabéns, etc. Muito legal mesmo.
Alguns elogiaram a minha "garra" e "coragem" em competir com a minha bike e nadar naquela água gelada sem roupa de borracha, mas também senti alguns deboches e discretas risadinhas, nada que afetasse a minha determinação. Muito pelo contrário: toda dificuldade que enfrentei só fez com que o gostinho de concluir essa prova fosse mais especial. Tenho certeza que consigo completar até na modalidade olímpica, pois disposição eu tenho de sobra o que me falta é o equipamento adequado e treinar mais a técnica. Mas não passo de uma reles mortal que adora um desafio, quem sabe um dia eu chegue lá!!
No geral achei a prova muito bem organizada, o kit veio com uma camisa manga longa bem bonita e de qualidade, um boné do evento, barrinha de cereal, um sachê de gel e "squeeze". Espero poder participar das próximas etapas e até lá já está com um equipamento melhor e treinar mais.
Minha medalha - frente e verso :)

Agradeço aos meus amigos que acompanharam e aguentaram meus surtos durante esse final de semana. Obrigada pelas fotos, vídeos e torcida. Obrigada ♥