Eu estava receosa e um pouco (muito) insegura com relação a minha performance diante da equipe, pois apesar de eu saber dos meus méritos e potenciais, eu estava entre as melhores das melhores e entre essas melhores eu era a "pior".
Então finalmente chegou o grande dia, os nervos a flor da pele e eu percebi que não era só eu então fui ficando mais tranquila no decorrer do evento. Cheguei mais cedo do que o previsto embora tivessemos cominado um determinado horário, acordei antes do despertador e fui mais cedo para o local da largada. Deu tempo pra ir no banheiro, tirar fotos, gravar vídeo. A Andréa estava escalada para fazer a largada e a energia dela estava, muito animada, aquecida e preparada.
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| Treinador Du Correa, Ketly, Andréa, Eu, nossa maravilhosa e perfeita staff Vanessa e a Érika. |
Então assim que foi dada a largada, nossa staff e as demais atletas fomos em direção ao próximo ponto de troca. E fizemos algumas paradas para auxiliar a Andréa com a hidratação, então nesse momento percebemos que as coisas não estavam saindo conforme o esperado. Um pouco antes de finalizar o percuso notamos que ela estava "atrasada" e quando apareceu estava MUITO pálida e falou que estava tonta passando mal. Mesmo assim ela continuou correndo no "modo" automático, num ritmo que foi possível continuar. Assim que chegou, a Érika deu sequencia na prova enquanto Andrea tentava se reestabelecer. Estava pálida, amarelada, com sinal de pressão baixa. Depois fomos pro carro e assim que começamos a andar, tivemos que parar pra ela vomitar e então ela vomitou muito. Além da insdisposição estomacal ela ficou muito sentida e abalada por ter ido mal no primeiro percurso e estava muito preocupada em como iria fazer o próximo percurso, chegamos a avaliar a necessidade de realizar trocas para ajustar por conta da sua indisposição, mas ela logo foi melhorando.
Deixamos a Ketly e depois me deixaram no meu ponto também. Eu estava animada, tinha tomado um red bull, usei o banheiro de novo e fiquei esperando a minha vez de largar. Quando avistei a Andrea vindo e percebi que haviamos recuperado uma posição na corrida, nessa animação toda, acabei virando instantes antes da minha vez de correr, fiquei incrédula.
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| Pé virado inchado |
Nunca havia virado o pé daquela forma antes, mesmo abalada, fingi que nada de grava tinha acontecido e segui correndo a minha primeira parte no percurso. Senti que estava indo muito bem, não senti nenhum desconforto durante a corrida e eu estava mantendo um bom ritmo até finalizar entregar a vez para a Erika novamente.
Andréa parecia ter ressurgido das cinzas renovada depois daquele susto e as demais estavam ótimas. Depois da Érika foi a vez da Ketly e então fui para a Prainha onde seria a minha vez de novo. Lá eu fiquei aguardando junto das demais adversárias dos outros quartetos, quando a Ketly surgiu notei que estávamos em 3º lugar, então eu saí bem doida esperando abrir uma certa vantagem pra nossa equipe. Esse percurso, que saí da prainha e pega o primeiro trecho da praia grande costuma ser horrível e eu tenho um certo trauma por ter corrido nele nos anos anteriores.por ser um trajeto chato e desgastante, porém nesse ano as coisas estavam diferente. Assim como o trecho do sumidouro a areia estava ótima, bem firme que parecia que tava correndo no asfalto, maré baixa ajudou bastante e não tinha vento nenhum e ainda estava um pouco nublado o que ajudou muito o meu psicológico a enfrentar o percurso.
Consegui correr sem parar e fiquei muito feliz em ter terminado bem essa parte da prova. Ao longo do percurso fui perdendo a minha visão que foi ficando embaçada além do normal (depois descobri que foi resíduo das tranças que escorreu e queimou meus olhos e quase acabou com a minha visão). O pé virado também começou a incomodar um pouco depois que "esfriou" e eu fui ficando com medo pois ainda teria mais 2 trechos pra percorrer, um de 11 km e outro de 5 km. Enquanto a Andrea dava a sequência na prova, fomos levar a Erika pro próximo ponto. Eu resolvi trocar de tênis e eu senti bastante dor, passei produtos pra dar um conforto emocional, colei uma salompas e calcei meias e tenis limpo.
Também comi mesmo sem ter fome pois ainda estava praticamente em Jejum e como tinha tomado água e isotonico, além de toda emoção da dinâmica da prova, acaba passando batido. Como o corpo já estava cansado também por conta do esforço feito nos trechos anteriores, me forcei em comer uma banana e também comi um delicioso sanduíche de frango preparado pela Érika. Depois da Andrea Correr, foi a vez da Erika assumir o último trecho da tenebrosa praia grande.
Acompanhamos de carro pela estrada enquanto a Erika percorria o trajeto pela areia. Em um dos momentos em que Vanessa foi levar o suporte de hidratação, ela comentou que a Erika estava caminhando e que a adversária havia nos ultrapassado. Eu conheço bem esse sentimento e imaginei o como ela poderia estar se sentindo naquele momento e naquele trecho pois havia passado por situação semelhante quando participei no revezemento em trio no ano retrasado. Como diria aquele "velho deitado": o que não tem remédio, remediado está!
Fomos para o ponto de troca, onde eu seria a próxima "vítima" a correr. Nessa altura eu estava bem ansiosa e não sabia se daria conta de correr os próximos 11km. As nossas adversárias tinham conseguido uma larga vantagem de tempo/distância entre nós e confesso que isso me deixou de certo modo até aliviada, pois era uma pressão a menos em saber que eu correria sem ninguém atrás de mim tentando me ultrapassar. E assim que a Erika chegou, eu finalmente larguei. Senti bastante desconforto no pé virado no início do percurso pois já tinha "esfriado" o corpo, mas no decorrer parece que foi aliviando um pouco. A areia tava firme igual asfalto o que achei muito bom, também não tinha vento contra, em compensação o sol apareceu e tava ardendo a moleira. Que percurso agoniante, parecia que não tinha fim aquilo. Foi bem solitário e não tinha como as meninas me ajudarem com a hidratação nesse trecho por isso levei dois copos de água no bolso traseiro do meu macaquinho. Mas até que aguentei bem, só fui lembrar de tomar água quando estava finalizando a parte da areia e inciando a trilha, aproveitei pra descartar o copinho no lixo disponível e peguei mais água com o staf que estava no ponto sinalizando a entrada da trilha.
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| Vanessa me dando aquele apoio |
Assim que entrei na trilha notei que havia um cruzamento com 3 caminhos diferentes e eu fui indo no que eu achei que seria o correto, se não fosse pelo fotografo avisando que eu tava indo pro lado errado, eu teria me perdido feio. Esse trecho foi pior do que eu pensava. Me senti completamente sozinha, não vi ninguém na frente e nem atrás, me deu até um medinho, parecia que eu tava isolada, mas logo vi carros de outras equipes aguardando seus atletas. Uma atleta dessas equipes me refrescou jogando água e me ofereceno hidratação, um verdadeiro anjo que cruzou meu caminho. Quando finalmente terminou a trilha chata de areião fofo e cheguei na estrada normal que daria para o ponto de troca, ainda faltava uns 2 km que pareciam não ter fim... Uns 500 m faltando pra chegar a nossa maravilhosa staff surgiu pra me puxar, foi jogando água na minha cabeça que estava fervendo e isso me deu um gás pra chegar. Então percebi que o percurso de 11 km, na verdade era de 11,5 km.
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| Eu e a maravilhosa Vanessa na reta final do km 11 |
Ufa finalmente acabei e entreguei pra Ketly, depois seria a Erika mas trocou com a Andrea a pedido dela que era quem iria fazer o próximo trecho. A diva correu muito. E teve alguns momentos de esperança que ela pudesse até alcançar nossa adversária que estava caminhando. Mas esse trecho no asfalto estava cruel. O sol estava insano. Muitos atletas já demostravam exaustão devido o esforço e o calor. Enquanto ela sofria, eu finalmente descansava e imaginando de onde eu iria tirar forças pra corre mais 5 km logo mais.
Na travessia da BR, tinha uma coitada da staff se refugiando do sol escondida no mato e no outro lado da rua um outro coitado de baixo de um guarda-chuva, nos anos anteriores a troca de atleta era antes de atravessar, achei um vacilo a organização não providenciar uma estrutura mais adequada pra proteção desses staffs nesse trecho. A troca aconteceu uns 300 metros depois da travessia da BR, na estrada da laranjeira, ali foi feita a troca da Erika que passou pra Andreia e depois eu seria a próxima. Ai que agonia.
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| Nossa chegada. |
Foi tudo tão rápido e quando vi, já tava correndo de novo. Não sei de onde tirei forças pra conseguir correr, mas corri. Só de pensar na alegria de saber que era meu último trecho, foi o que me deu forças pra seguir em frente, mesmo cansada, com dor no pé e praticamente cega com a vista embaçada... Nesse trecho avisei as meninas que não precisaria mais se preocuparem em me acompanhar pra dar água que eu aguentaria de boa até o final e assim foi. Acabei o meu trecho e passei pra Ketly que foi atleta reponsável pra finalizar essa prova. Quanta emoção! Depois de tantos perrengues, nos encaminhamos pra reta final. A Ketly voou, tivemos que correr com o carro pra dar tempo de estacionar e aguardar ela um pouco antes da chegada para chegarmos todas juntas.
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| Nossas medalhas |
Apesar dos pesares, chegamos bem dentro do tempo que estimavámos. A premiação estava rolando no mesmo local da chegada, na medida que as equipes iam chegando. A gente mesmo tendo a certeza que não haviamos sido classificadas, alimentandos por alguns instantes a ilusão de que alguma das equipes adversárias pudessem ter sido desclassificadas por alguma razão e assim tivessemos conseguido um lugarzinho no pódio mas não foi dessa vez. Ouvimos a chamada das equipes do quarteto feminino e não sobrou nada pra nós.
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Mas a vida é assim mesmo, um dia a gente ganha e no ouro a gente perde. Faz parte. O importante é que cada uma de nós deu o seu melhor pela equipe e sobrevivemos pra contar história.











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